agosto 10, 2010

A primeira vez que vejo

É a primeira vez que eu vejo,
e fico assim com essa cara de bobo,
que os irmãos mais velhos conhecem bem
ao reconhecer e acompanhar
a vida dos neófitos em seus rostos
É a primeira vez que eu vejo:
Vejo pessoas se intimedarem
frente a carinho e afeto.
Não é a primeira vez que percebo, contudo
Que algo está muito,
muito errado.
Eu deito e encaro meu teto,
com aquele olhar abobado.
Pasmo em frente ao fato.
É a primeira vez que eu vejo,
que talvez como disse-me um amigo:
"Os analgésicos, em breve, não serão suficientes"
Ao nosso velho governo,
à nossas novas manias
de defuntos e flores.
Corações partidos e cola durex.
Cores vibrantes em corpos esguios.
É a primeira vez que eu vejo,
que prefiro meu nêmesis,
a esse ethos importado.
Prefiro o meu beco escuro, que ainda tenho medo,
a essa identidade copiada, exasperada.
Antes disso,
fico com a minha consciência fraturada.
Semi acordado,
entorpecido,
mas íntegro.

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